Até 25 de janeiro de 2018
Projecto de arte contemporânea para Evocação da Grande Guerra - MUSEU MILITAR de LISBOA - 14/18.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
domingo, 10 de dezembro de 2017
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
José Teixeira, GRAVIDADE, inauguração: 12 dezembro, 17:30h
Museu Militar de Lisboa, 12 de dezembro a 25 de janeiro de 2018
Inauguração: 12 de dezembro de 2017, 17:30h
O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de
Belas-Artes da Universidade de Lisboa, na continuação do projeto Evocação –
arte contemporânea, apresenta mais uma exposição evocativa da Grande Guerra intitulada
Gravidade.
Sobre esta obra, José Teixeira diz-nos que «Gravidade, com
tudo o que tem de ambíguo, consta de uma instalação escultórica, que contou com
a participação de setenta e sete pessoas, homens, mulheres e crianças entre os
dez e os oitenta anos. O projeto, iniciado em abril de 2016, partiu da ideia de
representar um centésimo das vítimas portuguesas na grande guerra[1]. A evocação dos que
morreram há cem anos serve para lembrar, no presente, os milhares de migrantes,
os refugiados, oriundos de zonas de conflito bélico, as crianças soldados
recrutadas por grupos extremistas e, simultaneamente, para celebrar a vida
simbolicamente representada nos setenta e sete participantes que comigo
colaboraram na elaboração deste trabalho»
Gravidade é uma instalação concebida propositadamente para o
espaço do museu, dedicado à Grande Guerra que nos pede pensamento sobre a
qualidade das circunstâncias da vida e o valor das causas a que ela nos obriga.
Cumpre por isso uma função essencial da arte: fazer pensamento.
Corresponde, metaforicamente, ao peso dramático de cada um
de nós, sobre o plano dos acontecimentos incontornáveis, como as guerras.
Sublinha a força que as imagens-arte têm em nós como coisas que ultrapassam em
muito a fragilidade dos corpos estendidos, mortos, nos campos das batalhas de
todos os dias. A sua dimensão conceptual sublinha que arte, ao contrário do que
alguns pensam e argumentam hoje, cura, revoluciona, rompe, corta! Não é de todo
coisa cenográfica! É, sobretudo, o pensamento humanista que reforça a força da
esperança que permanece depois de tudo findar.
Ilídio Salteiro, 2017
sábado, 11 de novembro de 2017
MANUEL GANTES, Campo Santo, 7/11 a 7/12
Campo Santo, terra queimada.
Cristos das trincheiras. Céu
negro, sem luz, linhas de sombra. A pintura como evocação de um tempo
transversal, um tempo que nunca se repete e no entanto é um tempo de desgaste.
Sombra celeste... (mais)
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Manuel Gantes - Campo Santo - 7 de Novembro / 7 de Dezembro 2017
O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, na continuação do projeto «Evocação», iniciado no dia 9 de março de 2016, o qual consta de “exposições – intervenções de arte” nas Salas da Grande Guerra, todas evocativas dos acontecimentos ocorridos no Mundo entre 1914 e 1918, anuncia «Campo Santo», uma instalação de cerca de uma vintena de pinturas de Manuel Gantes concebidas propositadamente com esse objectivo, para esse espaço e para o atual tempo.
A proposta que Manuel Gantes nos enuncia nas
obras que expõe, encaminha a nossa memória contra o esquecimento de um facto
histórico decorrente de todas as batalhas onde inevitavelmente vencedores e
vencidos coabitam: uma escultura de Cristo crucificado, agora mutilada e
baleada, salva do campo de batalha, conhecida como «Cristo das Trincheiras».
Uma obra que sublinha a força que as imagens-arte têm em nós, como coisa que
ultrapassa em muito a fragilidade dos corpos estendidos mortos nos campos das
batalhas de todos os dias.
Sobre esta incursão Manuel Gantes afirma:
«Cristos das trincheiras. Céu negro, sem luz,
linhas de sombra. A pintura como evocação de um tempo transversal, um tempo que
nunca se repete e no entanto é um tempo de desgaste. Sombra celeste.
Flandres, vale da ribeira de La Lys, dia 9 de
Abril de 1918, os soldados portugueses são massacrados pela máquina de guerra
alemã.
A consciência, as trincheiras do medo e da
impotência que se abatem penosamente sobre este pequeno país, o fogo, as
chamas, a guerra, as vítimas, no limite todos vítimas mas uns mais que outros.
Os outros…»
As pinturas e as palavras de Manuel Gantes serão
a síntese de um pensamento, e tratam da esperança que permanece depois de tudo
findar.
O «Cristo das Trincheiras», atualmente presente
no Mosteiro da Batalha, manteve-se de pé, esperando que o resgatassem (2ª
Divisão do CEP) de um campo de batalha coberto de cadáveres onde jaziam 7.500
portugueses, mortos ou agonizantes, e onde a imagem tornada fotografia, de
Arnaldo Garcez, testemunha a escultura mutilada, com pernas e braços decepados,
e com uma bala a atravessar-lhe o peito.
Esta intervenção pode ser visitada a partir de
7 de novembro, com inauguração às 17:30 h, até 7 de dezembro de 2017.
Ilídio
Salteiro,
Lisboa, Fevereiro, 2017
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Cristo das Trincheiras - fotografia de Arnaldo Garcês
Soldado do C.E.P. junto da imagem do Cristo das trincheiras.
Soldado português deixa-se fotografar junto de um enorme Cristo, denominado
«Cristo das Trincheiras», que antes da guerra se encontrava num cruzamento de
ruas de uma pequena cidade francesa, e que depois da guerra, destruída a cidade
e todos os seus acessos, se encontrava nas zonas de combate, em pé, sobre um
monte de destroços.
Fotografia de Arnaldo Garcês. Outubro, 1917. Arquivo da
Hemeroteca Digital. Portugal na Guerra. Revista Quinzenal Illustrada. Ano 1, nº
5, Outubro de 1917, p. 10
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Cristo nas Trincheira no Mosteiro da Batalha
Na Guerra de 14-18, no sector português da Flandres, entre
as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um cruzeiro com um
Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície
envolvente.
A imagem deste Cristo não era, obviamente, portuguesa, mas
encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português durante a
ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.
No dia 9 de Abril de 1918, durante horas a fio, sobre aquela
planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, que a metralhou, a incendiou
e a revolveu.
Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.
A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, de tão
transformada em escombros.
A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam
7.500 portugueses da 2ª Divisão do CEP, mortos ou agonizantes.
No final da luta apenas o Cristo se mantinha de pé, mas
também mutilado: a batalha decepou-lhe as pernas, o braço direito e uma bala
varou-lhe o peito.
Mas, no meio do caos, foi trazida pelos militares que
conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas.
É quase inimaginável que, debaixo das barragens de
artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção
de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente
danificada, e a colocassem em local seguro onde pudesse ser novamente venerada.
Em 1958 o Governo Português fez saber ao Governo Francês o desejo de possuir
aquele Cristo mutilado: tornara-se um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional e
passou a ser conhecido como o "Cristo das Trincheiras".
A imagem foi acompanhada desde França por uma delegação de portugueses, antigos
combatentes da Grande Guerra, que residiam em França, e por uma delegação de
deputados franceses, chefiada pelo Coronel Louis Christian.
Chegou a Lisboa de avião no dia 4 de Abril de 1958, uma Sexta-feira Santa, e
ficou em exposição e veneração na capela do edifício da Escola do Exército até
8 de Abril - as cerimónias foram apoteóticas, milhares de portugueses
desfilaram perante a imagem em Lisboa.
No dia 8 de Abril a imagem foi transportada num carro militar para o Mosteiro
da Batalha, sem qualquer cerimonial especial, e aí ficou exposta na sala
do refeitório do mosteiro para no dia seguinte, 9 de Abril, se efectuar a
entrega oficial.
No dia 9 de Abril, pelas 11 horas, começaram a concentrar-se
junto ao Mosteiro numerosas entidades civis e militares, entre elas os
Embaixadores de Portugal em França e de França em Portugal, os Adidos Militares
da França, da Bélgica e dos Estados Unidos, as altas patentes portuguesas do
Exército, Marinha e da Força Aérea.
Ao meio-dia iniciaram-se as cerimónias com a chegada do Coronel Louis Christian
(França) e o Ministro da Defesa de Portugal Coronel Santos Costa.
A guarda de honra foi prestada por um Batalhão do Regimento
de Infantaria N.º 7, Leiria.
O "Cristo das Trincheiras" foi então levado para a
sala do Capítulo, estando o andor que o transportou ao cuidado de
representantes da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
Aí, foi deposto sobre um pequeno plinto adamascado à
cabeceira do túmulo do "Soldado Desconhecido".
Terminadas as orações, o Adido Militar Francês, Coronel
Revault d'Allonnes, conferiu aos dois "Soldados Desconhecidos" duas
Cruzes de Guerra, as quais foram depositadas sobre a campa rasa.
A fanfarra do Regimento de Infantaria n.º 19, de Chaves,
tocou a silêncio no final da cerimónia, enquanto uma Bateria de Artilharia do
Regimento de Artilharia Ligeira de Leiria, salvava com 19 tiros.
Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial,
o "Cristo das Trincheiras" simboliza a fé que manteve os militares
portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem
licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para
combater por algo que a maioria não entendia.
(Fonte:www.walfreire.blogspot.pt)
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Programa 2016-2019
O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de
Belas-Artes da Universidade de Lisboa, programou um conjunto de exposições de
artistas portugueses contemporâneos nas Salas da Grande Guerra com caráter
instalativo e evocativo dos acontecimentos ocorridos entre 1914 e 1918 em todo
o mundo.
Trata-se de um projeto de arte contemporânea sobre a Grande
Guerra cujas exposições, individuais e por períodos temporários, se iniciaram
em 9 de março de 2016, quando do centenário da declaração de guerra da Alemanha
a Portugal, e se concluirão em 14 de julho de 2019 quando, depois do centenário
do armistício, se comemora o centenário da participação do CEP na parada da
vitória em Paris.
A possibilidade desta projeto se realizar deve-se aos apoios
do Exercito Português, do Museu Militar de Lisboa, da Comissão para a Evocação
da Grande Guerra, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e do
Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes. Contando com a participação de
cerca de vinte artistas, ele procurará demonstrar, através de produções
artísticas diferenciadas e concebidas especificamente para as Salas da Grande
Guerra deste museu, que a arte atualiza os sentidos das coisas e promove
sintonias, diálogos e debates, quer sobre ela própria ou quer sobre outras
causas.
Depois das intervenções de João Castro Silva com Ossos,
Isabel Sabino com A Menina (não) fica em casa, Rocha de Sousa com Link para a
memória do esquecimento global, António Trindade com Guerra e Espelhos e João
Paulo Queiroz com Entre a Terra e o Céu encerrada a 30 de abril de 2017, este projeto foi interrompido por alguns meses. O seu reinício irá efectuar-se no dia 7
de novembro de 2017, 3ª feira às 17:30 horas, com a inauguração da exposição de
Manuel Gantes.
PRÓXIMA EXPOSIÇÃO
EXPOSIÇÕES PASSADAS
1 / JOÃO CASTRO SILVA, OSSOS
9 de Março 2016 a 30 de Maio de 2016
9 de Março de 1916: A Alemanha declara guerra a Portugal.
http://joaocastrosilva-escultura.blogspot.pt/?view=classic
2 / ISABEL SABINO, A MENINA (NÃO) FICA EM CASA
15 de Junho a 30 de setembro de 2016
15 de Junho de 1916: O governo britânico convida Portugal a
participar nas operações militares dos aliados.
http://www.isabelsabino.com/
3 / JOÃO ROCHA DE SOUSA, LINK PARA A MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO
GLOBAL
6 de Outubro 2016 a
15 Novembro de 2016
4-8 de Outubro de 1916: Combate de Maúta, rio Rovuma,
Moçambique.
4 / ANTÓNIO TRINDADE, GUERRA E ESPELHOS
25 de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017
22 a 28 de Novembro de 1916: o cerco de Nevala.
5 / JOÃO PAULO QUEIROZ, ENTRE A TERRA E O CÉU
9 de Março a 30 Abril de 2017
Nota: Interrupção do projeto entre1 de maio e 30 de outubro
de 2017
EXPOSIÇÕES FUTURAS
7 / JOSÉ TEIXEIRA
12 de Dezembro a 25 de Janeiro de 2018
8 / HUGO FERRÃO
30 de Janeiro a 1 de Março de 2017:
EXPOSIÇÕES EM FASE DE CALENDARIZAÇÃO
2018-2019: MIGUEL PROENÇA, MANUEL BOTELHO, ARTUR RAMOS
quarta-feira, 5 de abril de 2017
JOÃO PAULO QUEIROZ E A PROCURA DA GNOSE
João Paulo Queiroz e a procura da gnose
Hoje a vida desenvolve-se em
volta da felicidade fácil dos sorrisos do facebook.
Toda a gente é feliz, a vida é sorridente! O planeta não é redondo, é apenas
superfície. Superfície polida de preferência, brilhante, sorridente! Essa
felicidade excedente de si própria é contagiante, viral! Pandémica! O esgar do
riso entranhou-se, estático durante os segundos necessários, já sem necessitar
de ensaios. Toda a gente o articula com um jeito que parece inato, tal como o
ator que se obriga a viver o riso do personagem que encarna. Parece não haver
dúvidas sobre a felicidade que todos demonstram. Parece até que ninguém se
sente infeliz, desamparado, ignorado, frustrado, envergonhado, vencido,
esfomeado, doente, sem morada. Parece que neste planeta ninguém tem medos,
ninguém sofre, ninguém é consciente. Parece que todos querem parecer iluminados
pela vida, pelas divindades, pelo conhecimento!
Mas para que servem essas
iluminações? Para nos sentirmos felizes?
Existem hoje incomensuráveis
equívocos acerca do que é ser ente. Considero que esses equívocos se repercutem
em conceitos como o de humanidade, o do sentir, o de conhecer, assim como em
todas as declinações dos verbos ser e haver, muitas já em desuso na comunicação
corrente…
Mas para que serve interrogarmo-nos,
para que serve percebermos, ou apenas conhecermo-nos, aos nossos limites
máximos e mínimos, como, o quê e porquê temos sentimento ou “pré-sentimento”?
Por regra, o conhecimento
adquire-se quando se consegue identificar padrões. Quando se encontra a
coerência da reconstrução de mundos, elos que unem elementos até aí desconexos,
quando se entende a interligação do que é móvel e cíclico no ente, do espelho e
da transparência do eu e do outro. E, este reflexionar, é já aquilo que normalmente
se designa por ciência, por gnose ou por êxtase. Deveria ser apenas a partir
deste ponto que à vivência da vida era dada autoridade para sorrir.
Interiormente fascinados poderíamos então sorrir. Sentir a amplitude do
regozijo, rindo.
João Paulo Queiroz pinta ao usar
a pictoralidade como meio de aproximação a um território modelo onde o seu ente
se reflete em recolhimento. Esta expansão espiritual contida, como um
artista-asceta na procura do não visível na visibilidade das coisas onde se
transmuta. Porque o ver do olhar concentrado do pintor acaba por ser uma
transmutação do ente na coisa que vê. O autor torna-se no que pinta desvelando
os padrões mentais que unem ente e mundo natural. Porque o desenho é um ato
mental.
Este autor inicia um percurso
laboratorial ontogénico sobre um determinado ecossistema complexo existente num
determinado território de cerca de 300 m2 e reanalisando-o
ciclicamente, num período em que o eixo da terra está perpendicular ao sol. Esta
proximidade sugere-nos que o seu objeto fundamental seja a luz ou a sua
incidência sobre as superfícies do mundo e as modificações que lhes provoca. Se
é verdadeiro que a nossa espécie é cega para além dos 370-750 nm (nanómetros), também
acontece que a variação daquilo que vemos e que existe perante o nosso olhar
está em permanente mutação devido à impermanência da luz natural. É apenas esta
pequeníssima faixa de 380 nm do espectro electromagnético que se tem quando se
trabalha com a visualidade do mundo, portanto, estamos a falar de um trabalho
altamente contido e analítico que tem de se submeter a uma metodologia muito
rigorosa com o agravo de exigir precisão e rapidez na captação das gradações lumínicas
devido à fugacidade da modelação dos momentos de incidência da luz sobre as
superfícies.
Como um pensador cujas ferramentas são os olhos e a luz,
JPQ desenvolve uma pintura metódica, analítica e imparcial. Referenciando-se
por um calendário antiquíssimo, cósmico, o autor procura a qualidade da luz
visível, investigando as materialidades com que modela as formas. Perceber a
luz, impossível de ver diretamente ou na sua máxima intensidade mas apenas
através da reflexão nas coisas que ilumina, é perceber e comungar a essência
das coisas, neste caso, do território eleito.
Um território mítico, estranho e misterioso, quanto mais
não seja pela especificidade que lhe foi incorporada pelo pensamento, fé ou
imaginação ativa de tantos milhões de seres humanos. Uns 300m2 eleitos
na imensidão do planeta, escolhidos para ensaiar a reflexão da luz. Como um
sorriso interior de comunhão com o mundo.
O riso, no ente, ilumina-o! Porque vibra, modela-o
indeterminávelmente como luz invisível para os olhos. É nele que se revela o
milagre da conjunção do ente com um todo, qualquer que este seja, e que naquele
instante se transforma em entusiasmo de recompensa. Ao riso não se olha para o
ver mas para se percepcionar a iluminação que provoca. Por isso é contagiante.
O riso, o sorriso, comunga-se!
É apenas por isto que os rires e sorrires ataráxicos dos Facebook são tão morbidamente visíveis
aos nossos olhos… Fixados como esgares não iluminam rostos, modelam-nos apenas
através da forma…
Evocar a tragédia coletiva fruto da ignorância, avidez e
oportunismo de uns sobre outros é trazê-la à superfície da consciência,
repensá-la e reorganiza-la metaforicamente ao nível da catarse.
Evocar os antepassados, honrá-los e apaziguá-los é uma
tradição muito antiga que a Oriente ainda tem grande importância.
Nunca se há-de saber quantas
vítimas causou a 1ª Grande Guerra mas foram muitas, demasiadas. E não apenas
gente humana porque todo o ser vivo foi nela martirizado. Os equídeos, “recrutados
institucionalmente”, os cães e os pombos foram os que mais diretamente
intervieram no drama. Mas quantas florestas não foram dizimadas, quanta terra
não foi esventrada exatamente como se corpos humanos fossem…
Neste ano de 2017 completam-se
100 anos sobre o auge deste conflito sob a indiferença do nosso atual riso
cristalizado, ou “petrificado”, do Facebook.
Talvez já não se consiga atingir o sentimento, talvez tenhamos desistido da
humanidade que nos calibrava e definia como “seres humanos”, talvez seja já uma
das visibilidades do Antropoceno. Talvez as tragédias tenham sido maiores e
mais injustas do que era possível.
Evocar este primeiro grande
conflito global não é apenas relembrar a dor e os atos de bravura ignorada mas
também reconhecer a dor e a valentia com que estamos obrigados a viver. A
guerra escraviza o sentido da civilidade com tal enraizamento que torna muito
difícil refazermo-nos íntegros.
Num território
modelo, através da árvore, JPQ tenta encontrar qualquer sinal de humanidade
evocativo dessa integridade perdida. Apenas a natureza no seu correr, a árvore,
está ainda apta a ser um elemento redentor. Um elo entre as tragédias dos
humanos e a indiferença do tempo. Árvores como um pequeno exército, árvore como
um soldado desconhecido. Árvore como elemento que une a terra ao céu – tal como
cada ente se deveria reconhecer.
Qualquer
atitude parece sempre pequena para evocar o drama coletivo, apenas o ser-se
mártir dessa dor, da dor do Outro que somos nós próprios, a pode resgatar e
possibilita que cada um de nós seja incorrupto. Como a luz que irradia da
energia que se reflete das superfícies dos corpos e que varia de momento a
momento… Por isso o riso é libertador, assim como as obras que João Paulo Queiroz
apresenta na Sala da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa, numa exposição
que intitulou Entre a Terra e o Céu,
umas das muitas ações de arte atual comissionadas pelo pintor Ilídio Salteiro e
que constituem a evocação da 1ª Grande Guerra no Museu Militar de Lisboa.
Dora Iva Rita
Lisboa, 21
de março de 2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
ENTRE A TERRA E O CÉU - Inauguração: 9 de março às 17:30h
«Nos últimos anos tenho pintado do natural, nos Valinhos,
perto de Fátima.
Mostro agora 60 pinturas inéditas, 12 de cada um dos anos de
2009, 2010, 2011, 2012 e 2013.
Convido-te para a minha exposição de pintura 'Entre a Terra
e o Céu' que abre amanhã, quinta-feira, 9 março, entre as 17h30 e as 19h00, no
Museu Militar, a Santa Apolónia, Lisboa.
Abraço»
João Paulo Queiroz
domingo, 5 de março de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
JOÃO PAULO QUEIROZ - Entre a Terra e o Céu
Museu Militar de
Lisboa
9 de Março a 30 de abril
de 2017
Inaugração: 9 de março às 17:30h
João Paulo Queiroz, Cem vezes uma Árvore, 2016.
Pastel de óleo sobre papel, 29 cm x 21 cm.
FBAUL, 11 a 18 de Fevereiro de 2017
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
PROGRAMA 2016 / 2019 atualizadado
O Museu Militar de Lisboa em colaboração com a Faculdade de
Belas-Artes da Universidade de Lisboa estão a decorrer um conjunto de
exposições de artistas portugueses contemporâneos nas Salas da Grande Guerra
com caráter instalativo e evocativo dos acontecimentos ocorridos entre 1914 e
1918 em todo o mundo. Estas exposições, individuais e por períodos temporários,
iniciaram-se em 9 de março de 2016, quando do centenário da declaração de
guerra da Alemanha a Portugal, e concluir-se-ão em 14 de julho de 2019 quando depois
do centenário do armistício, se comemora o centenário da participação do CEP na
parada da vitória em Paris.
A possibilidade desta projeto se realizar deve-se aos apoios
do Exercito Português, do Museu Militar de Lisboa, da Comissão para a Evocação
da Grande Guerra, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e do
Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes. Contando com a participação de
cerca de vinte artistas, ele procurará demonstrar, através de produções artísticas
diferenciadas e concebidas especificamente para as Salas da Grande Guerra deste
museu, que a arte atualiza os sentidos das coisas e promove sintonias, diálogos
e debates, quer sobre ela própria ou quer sobre outras causas.
No próximo dia 10 de Março de 2017 inaugura a exposição de
João Paulo Queiroz, intitulada Terras e Céus.
Parada de vitória, 14 de julho de 1919, Paris.
Fonte: https://www.publico.pt/primeira-grande-guerra
(10-10-16)
sábado, 3 de dezembro de 2016
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
ANTÓNIO TRINDADE - convite - 29 de novembro 2016 / 17:30 h
GUERRA E ESPELHOS
Nas Salas da Grande Guerra do Museu Militar, a proposta por mim apresentada tem como objetivo criar um jogo de espelhos mediante a sugestão de pequenas aberturas ou rompimentos virtuais dentro do espaço real interventivo. Nesses rompimentos do espaço do Museu confrontam-se em conjunto uma série de pinturas que se agregam a espelhos formando com estes novos objetos de confrontação óptica. As pinturas mostram-nos imagens icónicas e representativas da melancolia, da saudade, da ... (ler mais)
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
NEVALA E ROVUMA
António Trindade
GUERRA E ESPELHOS
29
de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017
Inauguração: 29 de Novembro de 2016, 17:30h
Cerco
de Nevala: de 22 a 28 de Novembro tem lugar o cerco de Nevala. Nos sete dias de
cerco, as tropas alemãs bombardeiam as forças portuguesas sitiadas causando a
morte a cinco militares (um segundo sargento e quatro soldados).
A Questão do Nevala, 1916: ler mais
NEVALA E ROVUMA,
Trincheira portuguesa na posição de Namoto
EVOCAÇÃO
4ª Exposição: ANTÓNIO TRINDADE / GUERRA E ESPELHOS
29
de Novembro de 2016 a 30 de Janeiro 2017
Cerco
de Nevala: de 22 a 28 de Novembro tem lugar o cerco de Nevala. Nos sete dias de
cerco, as tropas alemãs bombardeiam as forças portuguesas sitiadas causando a
morte a cinco militares (um segundo sargento e quatro soldados).
A Questão do Nevala, 1916: ler mais
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
domingo, 6 de novembro de 2016
sábado, 5 de novembro de 2016
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Filmes de Rocha de Sousa: Atelier do Artista, 1983
Atelier de Rogério Ribeiro, Estremoz. O autor trabalha. Medita. Concebe a urdidura da sua linguagem, organizando os símbolos capazes de exprimirem a densidade de várias memórias no espaço de ficção e mensagem visual que a Pintura, entre contingências formais, nunca deixou de ser.... (ROCHA de SOUSA, 1983)
domingo, 30 de outubro de 2016
Filmes de Rocha de Sousa: Atelier do Artista, 1983
A Pintura como toda a Arte é este jogo sublime de mentiras que dizem a verdade.......
(ROCHA de SOUSA, 1983)
(ROCHA de SOUSA, 1983)
Salas da Grande Guerra, Museu Militar de Lisboa, 6 de outubro até 15 de novembro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Inauguração da exposição / intervenção de ROCHA de SOUSA no Museu Militar de Lisboa (1)
Evocação da Grande Guerra: momento da inauguração com Rocha de Sousa, Ilídio Salteiro, Luís Paulo de Albuquerque e Catarina Figueiredo Cardoso, 6 de outubro de 2016, Museu Militar de Lisboa, Salas da Grande Guerra,
sábado, 1 de outubro de 2016
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
Anna Coleman Ladd - Artista Escultora na Grande Guerra
Anna Coleman Ladd
THE SCULPTOR WHO MADE MASKS FOR SOLDIERS DISFIGURED IN
WORLD WAR I
by Allison Meier on September
8, 2016
Any
enduring romanticism for war was obliterated by the industrialized
brutality of World War I, from which legions of soldiers returned
disfigured by facial injuries. The rise of Modernism in Europe from this carnage is
well-known, but in the United States it had a different impact, encouraging
both heightened patriotism and the emergence of symbols like the mask. One
artist, Anna Coleman Ladd, turned her neoclassical training
into a tool for sculpting new faces for the defaced.
In Grand Illusions: American Art and the First World War, recently
released by Oxford University Press, Wake Forest University Professor David Lubin explores
Ladd’s work in the greater context of US artists working during and after
World War I. Beginning with the sinking of the Lusitania in 1915, an event used
in propaganda to galvanize American interest in the war, Lubin’s
research stretches up to 1933, with the emergence of the Third Reich and a new
military era. “The first World War was the first fully industrialized war,
and an important aspect of that industrialization was the mass production and
dissemination of war-related images,” Lubin writes. “They informed and
misinformed opposing populations about the need to go to war, the nature
of war itself, and the consequences of war.”
And one of those consequences
was les gueules cassées, or the “broken faces,” as
the hundreds of thousands of disfigured soldiers were called in
France. Medicine had improved enough so soldiers could survive previously fatal
injuries, yet those wounds were freshly horrific with machine guns and trench
warfare that often left the delicate facial tissue exposed. Noses were reduced
to holes, jaws broken beyond repair, eyes blinded, and whole physiognomies
blurred by ripped flesh. As Harold Gillies, a doctor who treated thousands of
facial injuries, said of his ward: “Only the blind keep their spirits up.”
Ladd was among several
sculptors who used their skills to fashion masks so soldiers
could more easily walk in public without shocking and provoking gawking.
The Boston-based artist joined others, like Francis
Derwent Wood, who were making prostheses out of copper or tin that could be
worn like glasses with spectacle bows over the ears. Through the American
Red Cross, Ladd set up her small Studio for Portrait Masks in the Latin Quarter
of Paris in 1917, its homey interior designed to give comfort and dignity to
her patients. Scarred veterans’ transformation began with a
suffocating plaster cast process used to capture each of their new
imperfections. (read more)
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